

Se você está se candidatando a vagas no Japão, o currículo que você conhece não vai funcionar. Os empregadores japoneses esperam um documento específico chamado rirekisho (履歴書) — um currículo formalizado, de formato praticamente fixo, que segue convenções desconhecidas para a maioria dos candidatos ocidentais. Ele inclui sua foto, sua data de nascimento e uma precisão quase manuscrita nas datas que um currículo americano de uma página nunca pede.
Este guia explica o que é o rirekisho, percorre cada seção do formulário padrão, aborda as regras de foto e de formatação que costumam derrubar os estrangeiros e esclarece quando você precisa do documento complementar, o shokumukeirekisho. Se você está se candidatando fora do Japão, pode pular para o final — um currículo internacional padrão, montado com os modelos gratuitos da Cvyon, vai te atender melhor.
O que é (e o que não é) um Rirekisho
O rirekisho é o formulário de currículo padrão do Japão — não um documento livre, mas um modelo prescrito (baseado na norma JIS) com campos fixos. Praticamente todo empregador doméstico espera recebê-lo, e ele quase sempre é escrito em japonês. Pense nele menos como "o seu currículo" e mais como "o formulário que todo candidato preenche", em que capricho, completude e convenção importam tanto quanto o conteúdo.
Três características o tornam fundamentalmente diferente de um currículo americano ou europeu:
- Ele é padronizado. Todo mundo usa essencialmente o mesmo layout. Você se destaca pelo conteúdo de alguns campos de texto livre, não pelo design.
- Ele inclui dados pessoais que currículos ocidentais omitem. Data de nascimento, idade, gênero, estado civil, número de dependentes, tempo de deslocamento — cada um tem campo próprio.
- Espera-se uma foto. Uma foto formal, no estilo de documento, tirada nos últimos três meses e colada (não grampeada) ao formulário.
Formulários de rirekisho em branco são vendidos em papelarias e lojas de conveniência de todo o Japão, e modelos gratuitos em PDF estão amplamente disponíveis em sites japoneses de busca de emprego. O desafio não é encontrar o formulário — é preenchê-lo corretamente.
Cada seção do formulário padrão, explicada

Dados pessoais (topo do formulário)
- 氏名 (nome) com フリガナ (furigana): escreva seu nome como aparece no cartão de residência ou no passaporte, com a leitura fonética acima. Nomes estrangeiros são escritos em katakana.
- 生年月日 (data de nascimento) e 満○歳 (idade): informe a data e sua idade atual. Use um único sistema de datas — anos ocidentais ou o sistema japonês de eras — em todo o formulário.
- 性別 (gênero), 現住所 (endereço atual) com furigana, 電話 (telefone). O endereço inclui o CEP; inclua um 連絡先 (endereço de contato) separado apenas se ele for diferente.
- 写真貼付 (foto): 4 cm × 3 cm, meio corpo, de frente, fundo neutro, tirada nos últimos 3 meses. Profissional, mas sóbria — não é lugar para mostrar personalidade.
学歴・職歴 (formação e histórico profissional)
Esta é a maior seção — e aquela em que os estrangeiros mais erram.
- A formação começa a partir da conclusão do ensino fundamental (中学校卒業) — não da universidade. Liste cada escola com as datas de entrada (入学) e conclusão (卒業) no formato 年/月.
- O histórico profissional vem em seguida, na mesma coluna, com as datas de entrada (入社) e saída (退社) de cada empresa. Escreva o nome completo da empresa, além de uma breve nota sobre o departamento ou o cargo.
- Sem lacunas. Cada mês entre a conclusão do ensino fundamental e hoje precisa estar justificado. Períodos de desemprego, estudo ou cuidado com a família recebem uma linha — um intervalo em branco levanta mais dúvidas do que uma linha honesta.
- Encerre a seção de histórico com 以上 (fim) em uma linha própria, alinhada à direita.
免許・資格 (habilitações e qualificações)
Liste as certificações com a data de obtenção, da mais recente para a mais antiga ou vice-versa — qualquer ordem serve, desde que seja consistente. Inclua o nome oficial completo. Para candidatos estrangeiros, certificações de idioma (o nível do JLPT, por exemplo) e qualquer licença reconhecida no Japão entram aqui. Carteira de motorista também costuma ser listada, já que muitas vagas a mencionam.
志望の動機 (motivo da candidatura) e 自己PR (autopromoção)
Essas duas caixas de texto livre são onde o rirekisho deixa de ser um formulário e passa a ser um argumento de venda — e onde a maioria das candidaturas é de fato avaliada.
- 志望動機 (motivo da candidatura): por que esta empresa, especificamente. Elogios genéricos ("admiro sua empresa") não funcionam; uma conexão concreta entre sua trajetória e o trabalho dela vence. Pesquise a empresa e cite algo real.
- 自己PR (autopromoção): seus pontos fortes relacionados à vaga, com um breve exemplo concreto. Fique dentro da caixa — escrever para fora das linhas parece pior do que ser breve.
Escreva em japonês educado e simples. Linguagem casual demais e keigo rígido demais soam mal; se seu japonês é intermediário, frases simples e corretas funcionam melhor do que frases ambiciosas e erradas.
本人希望記入欄 (pedidos ao empregador)
Expectativa salarial, cargo desejado, preferência de local de trabalho, disponibilidade para começar. Se você não tem preferências fortes, a resposta padrão é 貴社の規定に従います ("seguirei as normas da sua empresa") — sinaliza flexibilidade e é o que a maioria dos candidatos escreve.
Os campos menores que também importam
- 通勤時間 (tempo de deslocamento): tempo aproximado de porta a porta. Os empregadores usam isso para avaliar sua confiabilidade.
- 扶養家族数 (número de dependentes) e 配偶者 (cônjuge): direto — responda com fatos.
- 好きな学科 (disciplinas favoritas): relevante principalmente para recém-formados; liste disciplinas relacionadas à vaga, se possível.
O documento complementar: shokumukeirekisho
Para contratações de profissionais com experiência (não recém-formados), os empregadores geralmente pedem um segundo documento: o 職務経歴書 (shokumukeirekisho), uma folha de histórico profissional de formato livre. É aqui que você faz o que os currículos ocidentais fazem — descrever cada cargo com responsabilidades e resultados, normalmente em 1 a 2 páginas, em ordem cronológica inversa. O rirekisho lista onde você trabalhou; o shokumukeirekisho explica o que você fez lá. Prepare os dois.
Regras de formatação que complicam a vida dos estrangeiros
- Tinta preta, uma caneta só. Tradicionalmente manuscrito com caneta esferográfica preta; versões digitadas/impressas são cada vez mais aceitas, especialmente em empresas internacionais — mas nunca misture as duas em um mesmo documento.
- Sem corretivo, sem rasuras. Um erro significa reescrever a página. É por isso que as pessoas rascunham em uma cópia primeiro.
- Datas consistentes. Escolha o calendário ocidental ou o japonês (eras) e use o mesmo em todo lugar. Converta com cuidado — um erro de era destrói sua credibilidade na hora.
- Não deixe campos em branco. Todo campo recebe alguma coisa, mesmo que seja なし (nenhum) ou 特になし (nada em particular).
- Disciplina com a foto. Nada de selfies, fotos antigas ou sorrisos informais. Uma foto de cabine ou de estúdio tirada nos últimos 3 meses, colada — nunca grampeada — ao formulário.
Rirekisho x currículo americano: as principais diferenças

Formato: formulário padrão fixo (rirekisho) vs. formato livre, com o design que você quiser (EUA). Extensão: 1–2 páginas do formulário vs. 1 página, tipicamente. Foto: obrigatória vs. nunca incluir. Data de nascimento / idade: campo obrigatório vs. nunca incluir. Início da formação: conclusão do ensino fundamental vs. apenas o grau mais alto. Idioma: japonês (geralmente) vs. inglês. Argumento em texto livre: duas caixas (motivação, autopromoção) vs. o documento inteiro.
A lógica por trás também é diferente: o rirekisho prova que você consegue seguir convenções exatas com precisão — o que, por si só, já é um sinal que os empregadores japoneses valorizam. O currículo americano prova que você consegue vender seu impacto de forma concisa.
Se você não está se candidatando no Japão
Tudo o que está acima vale para contratações dentro do Japão. Se você está se candidatando a vagas nos EUA, na Europa ou a posições remotas internacionais — mesmo em escritórios no exterior de multinacionais japonesas — use um currículo internacional padrão: uma página, sem foto, sem data de nascimento e com bullets focados em resultados. Monte o seu gratuitamente com os modelos compatíveis com ATS da Cvyon e depois passe o PDF final pelo verificador de ATS gratuito para confirmar que ele é lido corretamente antes de enviar.
Perguntas frequentes

Preciso escrever meu rirekisho à mão? Tradicionalmente sim, com caneta esferográfica preta — a caligrafia caprichada é avaliada. Na prática, versões digitadas são cada vez mais aceitas, especialmente por empresas de capital estrangeiro. Em caso de dúvida, siga as instruções do empregador; se não houver nenhuma, escrever à mão é a opção mais segura para empresas japonesas.
Posso escrever meu rirekisho em inglês? Quase nunca para empregadores japoneses — a expectativa é o japonês. Algumas empresas globais e startups aceitam inglês, mas vão dizer isso na própria vaga. Se a vaga está em japonês, o rirekisho também deve estar.
Que foto preciso para um rirekisho? Uma foto 4 cm × 3 cm no estilo de documento: meio corpo, de frente, fundo neutro, roupa formal, tirada nos últimos 3 meses. Tire na cabine ou em um estúdio, corte no tamanho certo e cole no formulário — nunca grampeie.
Qual é a diferença entre um rirekisho e um shokumukeirekisho? O rirekisho é o formulário padronizado de histórico pessoal que todo candidato entrega. O shokumukeirekisho é um documento separado, de formato livre, que detalha sua experiência profissional e seus resultados, esperado de candidatos com experiência. Recém-formados normalmente enviam apenas o rirekisho.
Onde consigo um formulário de rirekisho em branco? Em papelarias e lojas de conveniência de todo o Japão e como download gratuito em PDF nos principais sites japoneses de busca de emprego. Qualquer formulário no padrão JIS serve — o conteúdo importa muito mais do que o modelo em branco que você escolher.
Estrangeiros devem incluir o status de visto? Costuma-se incluí-lo na área de histórico profissional ou de observações (por exemplo, status de visto de residência/trabalho com validade), já que isso afeta diretamente a empregabilidade. Se a vaga não pede, uma breve linha factual ainda é prática padrão e evita surpresas mais adiante.